segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Um jantar recheado de emoções

O capítulo VI brinda-nos com uma suculenta refeição num hotel “chique” da época, onde se torna evidente o cuidado com a decoração e com a ementa.
Promovido por Eça para homenagear Cohen, audácia que nos deixa espantados pois sabemos da relação clandestina que este mantém com a mulher do banqueiro, tudo é preparado ao pormenor até um prato da ementa que é “ à la Cohen”…
Esperamos assim assistir a comportamentos civilizados adequados quer aos convivas quer ao espaço. Mas Eça não fecha os olhos, antes desmascara esta sociedade que aparenta ser civilizada mas não é. Entre as variadas discussões há uma que conduz a fortes e ridículos excessos e que envolve Ega – que defende que a leitura deve ser científica – e Alencar – representante do romantismo. Exaltam-se, agridem-se verbalmente e pouco falta para a agressão física.
O hotel é que já não é o mesmo: a sala elegante parece uma taberna e eles arruaceiros. Outro tema quente no jantar é a situação do país com o banqueiro a referir levianamente que o país caminha para a bancarrota, Eça a defender a invasão espanhola e Dâmaso no seu melhor acto de patriotismo a referir que no caso de guerra se rasparia para Paris. E é assim que se faz o retrato desta sociedade burguesa e que nós a ficamos a conhecer por dentro.
Surge entretanto uma nova personagem que atrai a atenção de Carlos á entrada para o hotel: uma melhor alta, esplêndida com uma cadelinha… E a sua influência é tão forte que à noite a sua imagem emerge por diversas vezes à mente de Carlos. Estará ele apaixonado? Também o pai caiu de amores por uma espécie de deusa terrena…

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