“O português nunca pode ser homem de ideias, por causa da paixão da forma. A sua mania é fazer belas frases, ver-lhes o brilho, sentir-lhes a música. Se for necessário falsear a ideia, deixá-la incompleta, exagerá-la, para a frase ganhar em beleza, o desgraçado não hesita… Vá-se pela água abaixo o pensamento, mas salve-se a bela frase.” Novamente a ironia de Eça ataca a mentalidade portuguesa.
No capítulo IX acompanhamos Carlos numa consulta médica muito especial, ou não fosse a paciente filha de Madame Castro Gomes. Apesar da Madame não estar, Carlos absorve cada pormenor, cada aroma da casa, como se de partes dela se tratassem. Rosa encontrava-se no quarto da mãe, estendida sobre a cama agarrada a uma enorme boneca – Cricri. De uma adorável brancura, cabelo negro e dois grandes olhos de um azul profundo e líquido, a criança deixa Carlos maravilhado e fortalece a ligação que o unia àquela cujo nome desconhecia.
Onde teria Rosa ido buscar o olhar azul já que nenhum dos Castro Gomes o possuía?
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