segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Dâmaso Salcede e outros

“As suas carruagens, os cavalos, o Ramalhete, os hábitos de luxo, condenavam[-no] irremediavelmente ao diletantismo”, eis a conclusão a que Carlos chegou quando vê caírem por terra dois dos seus projectos: a sua elegância condenou o consultório pois, como já lhe havia dito o D. Teodósio, nenhum burguês lhe entregaria a esposa; a má-língua dos colegas, que o acusavam de fazer experiências fatais com os doentes, destruiu o laboratório. Dedica-se então a salvar o único que ainda lhe resta - o livro, o seu livro - no qual vai trabalhando “com vagares de artista rico”.
Rodeados de ironia somos apresentados a Dâmaso Salcede e aos seus inúmeros defeitos: pretensioso, superficial, ridículo, despropositado, obcecado pelo chique - conhecido pela sua frase “Chique a valer!” -, admirador incontestável de Carlos - “seguia-o de sala em sala como um rafeiro”, “imitava[-o] com uma minuciosidade inquieta, desde a barba, que começara agora a crescer, até à forma dos sapatos” -, antipatriótico – tinha um desprezo enorme por Lisboa que classifica de chinfrim -, interminável, torrencial e inundante a falar, convencido ao ponto de considerar que as mulheres “sofriam a fascinação da sua pessoa e da sua toilette”.
Perante uma tão exaustiva descrição ficamos surpreendidos quando, de acordo com o que chega ao Ramalhete, este tenha ameaçado o sr. Castro Gomes que lhe “quebrava a cara com a bengala” se voltasse a insultar Carlos. Um episódio de todo insólito se pensarmos na aula de esgrima em que se revela um fraco sem coragem.
Carlos parte mais um coração, desta vez o da condessa de Gouvarinho que, movida pela paixão, arquitecta um plano que a lança nos braços do jovem Maia.
Seremos certamente brindados com novas surpresas na soirée mascarada terá lugar no dia de anos da Raquel e para a qual eu desde já vos convido.
Serão Ega e Carlos apanhados nos seus adultérios?

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