quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Marcas do Destino

Adivinha-se o primeiro encontro, o tão esperado encontro, de Carlos com Madame Castro Gomes.
Cedo pela manhã encontramos o jovem Maia já na Rua de S. Francisco numa clara impaciência.
Ainda antes de a ver Carlos sabe o seu nome: Maria Eduarda... Uma similitude nos nomes significará também uma concordância dos destinos?
Mais uma marca do destino é deixada para trás no “vaso do Japão onde murchavam três belos lírios brancos”, um indício talvez do destroçar de uma família de que restavam exactamente três elos cuja estabilidade começava a estar em causa.
Desde que entrara em sua casa, Carlos parece estar a ser progressivamente preparado para ver Maria Eduarda, primeiro toma contacto com o seu nome, depois com a cadelinha que se encontra enroscada numa cadeira e desde logo se enamora por ele, só então ouve um passo leve que pisa a esteira… Maria Eduarda…
Eça descreve-a novamente como uma deusa, toda ela perfeição, desde os olhos de uma “luz escura” que encerram “alguma coisa de muito grave e de muito doce”, até aos cabelos “de dois tons, castanho-claro e castanho-escuros, espessos e ondeando ligeiramente sobre a testa”, passando pela “voz rica e lenta, de um tom de ouro que acariciava”.
Os indícios continuam a surgir, desta vez pelo jeito familiar com que, Maria Eduarda, tal como Afonso da Maia, cruzava ao falar as mãos sobre os joelhos. A semelhança com o avô de Carlos notava-se ainda na consternação que sentia por todo o sofrimento dos animais. A própria cadelinha - Niniche - tem o mesmo nome que uma galguinha italiana que Carlos tivera.
Miss Sara, a razão daquela visita, tinha apenas uma bronquite ligeira, nada de preocupante. Mas fora graças a ela que Carlos começara a penetrar docemente na intimidade daquela família para a qual corria todos os dias.
O amor por Maria Eduarda cresce na mesma proporção que aumenta a repulsão pela Gouvarinho.
Serão estes indícios marcas deixadas pelo destino?
Notícias do Ega! O seu regresso a Lisboa está para muito breve, por coincidência ou não, os Cohen, que também haviam partido, estavam de volta a Lisboa.
Adivinha-se um escândalo?

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