quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Um dia de sorte

O capítulo X leva-nos para o hipódromo onde se realizam as tão esperadas corridas. Sendo um desporto importado das civilizadas Inglaterra e França espera-se um ambiente colorido, exuberante, com um toque de requinte. No entanto rapidamente Eça nos dá a conhecer o provincianismo dos espectadores e dos preparativos: vestidos despropositadamente (demasiado sério ou demasiado sofisticado) os presentes mostram enfado, total desinteresse e nem apostas são feitas; o recinto por seu lado está mal preparado para este tipo de eventos (“traves mal pregadas” e “fendas do tabuado” são alguns exemplos).
Envoltas na linha postiça da civilização e na atitude forçada do decoro, as corridas apenas ganham dinamismo quando Carlos, para surpresa geral, aposta no potro Vladimiro “a que o próprio Darque chama pileca”. “Em roda (…) todo o mundo quis apostar, aproveitar-se daquela fantasia de homem rico”. Os ânimos começam a exaltar-se, apostas começam a ser feitas e as atenções centram-se finalmente na pista onde Vladimiro e Minhoto se “aproximam, com um som surdo das patas, trazendo um ar de rajada” da meta, é então que, contra todas as probabilidades, “o jóquei inglês de Vladimiro (…) fez silvar triunfantemente o chicote, e de um arremesso directo lança-o além da meta, duas cabeças adiante de Minhoto, todo coberto de espuma” dando a vitória a Carlos.

Mais surpresas esperam o jovem Maia no Ramalhete: uma carta onde Madame Castro Gomes lhe roga “para ir ver na manhã seguinte, o mais cedo possível, uma pessoa da família, que se encontrava incomodada”.

Sem comentários: