Já conheço o Ramalhete... lembra-me um museu com tanta variedade, tantas relíquias, tanta obra de arte de tantos locais do mundo, ou um palácio tantas são as divisões, os quartos, os escritórios, a sala de bilhar.Já conheço um gato, fiel companheiro de Afonso, cujo nome acompanha a sua evolução: foi Bonifácio, em seguida D. Bonifácio e depois Reverendo Bonifácio.
Também conheço Afonso, o jovem cujas ideias revolucionárias revoltam o conservador pai; o adulto que casa com Eduarda Runa, e revoltado com a Lisboa miguelista e com a busca que foi feita em sua casa parte para a sua adorada Inglaterra, onde fica até a saúde e infelicidade de sua mulher, que não suporta nem o clima, nem a língua bárbara nem a heresia do país, o obrigar a regressar; o pai que cedeu à vontade da mulher na educação do filho, sendo este o resultado de uma educação conservadora, miguelista e tradicional - um fraco que receia até o vento, como Afonso constata num passeio pelo parque; o viúvo que após a morte da mulher sofre e se revolta com a incapacidade do filho para lidar com a situação - ora cai numa angústia soturna, ora numa vida dissipada e turbulenta. Até que conhece Maria Monforte, uma mulher fatal, por quem se apaixona perdidamente, cortando relações com o pai por ser contra a sua relção com a filha de um "negreiro"e por quem se suicida depois da fuga desta com Tancredo, um príncipe napolitano que Pedro feriu e alojou em casa. Maria leva a filha e deixa a Pedro o filho Carlos, que Afonso criará com base unicamente nas suas convicções.
O destino já preparara Afonso para uma possivel tragédia pois, a única vez que viu Maria Monforte, esta abrigava-se sob uma sombrinha escarlate que "se inclinava sobre Pedro, quase o escondia, parecia envolvê-lo todo -como uma larga mancha de sangue (...)".
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