domingo, 26 de agosto de 2007

Em Coimbra

Numa época em que os fidalgos se formavam em Direito, quando Carlos seguiu a carreira de Médico, muitas foram as vozes de desagrado que se fizeram ouvir: "As senhora sobretudo lamentavam que ia crescendo tão formoso, tão bom cavaleiro, viesse a estragar a vida receitando emplastros e sujando as mãos" de sangue. Mas o que seduzia Carlos era a vida prática e útil.
Segue para Coimbra, conhece João da Ega que baptiza a casa que o avô lhe montou de "Paços de Celas". Carlos simpático e abastado conquista rapidamente muitos jovens estudantes de Coimbra que frequentam a sua casa e fazem dela um espaço muito activo, com múltiplas actividades: esgrima, whist, piano, discussões... e os livros começaram a ficar abandonados, o que quase fez Carlos reprovar, como acontecia com Ega há vários anos. Este era conecido pela sua faceta revolucionária, ódio à divindade e à ordem social, que propositadamente exagerava. É difícil não o compararmos a Eça de Queirós quando lemos a sua descrição: "figura esgrouviada e seca, pêlos do bigode arrebitados sob o nariz adunco, um quadrado de vidro entalado no olho direito".
Forma-se e parte para uma longa viagem pela Europa. Termina aqui a analepse iniciada nas primeiras páginas, dentro da qual ficou Caetano da Maia, a juventude de Afonso, Pedro da Maia e a juventude de Carlos. Regressamos a 1875 e ao Ramalhete redecorado.

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