No mesmo sábado em que Afonso da Maia parte para Santa Olávia, Maria instala-se na Toca.Estamos no capítulo XIV Alencar, à porta do Prince, apresenta-nos a um seu velho amigo e tio do nosso já muito bem conhecido Dâmaso – Guimarães – que, vindo de Paris, faz agora uma curta visita à velha Lisboa.
Todo o caminho até ao Ramalhete sente Carlos um “sombrio arrepio de dor”, no “meio da sua radiante felicidade”… pensa então no avô: ao partir com Maria, “entrava na ventura absoluta; mas ia destruir de uma vez para sempre a alegria de Afonso” que, sendo “Homem de outras eras, austero e puro (…) nesta franca viril, rasgada solução de amor indomável, só viria libertinagem”. Mas quanto à dor do avô, resultado de preconceitos, ele nada pode fazer pois a sua felicidade tem direitos mais fortes “fundados na Natureza!”.
Carlos e Maria Continuam a encontrar-se na paz da Toca, mas sempre com o espinho de Afonso presente.
É mesmo quando Carlos afirma que tem de ir a Santa Olávia ver o avô que outro presságio trespassou os olhos de Maria perdendo-os outra vez na escuridão, “como recebendo dela (…) um futuro onde tudo seria confuso e escuro também”.
Na véspera da partida de Carlos para Santa Olávia Maria vai jantar ao Ramalhete onde ganha a admiração de todos, não só pela sua beleza e encanto mas também por ser a primeira mulher a entrar no Ramalhete.
O casarão dos Maias presencia um dos presságios mais claros de todo o livro: Maria afirma que Carlos, por vezes, se assemelhava à sua falecida mãe.
Em Santa Olávia Carlos opta por ir revelando o seu romance com Maria pouco a pouco: levá-la para Itália e passar lá todo o ano com excepção da Primavera.
Agora sim tudo parece perfeito… mas depois da calmaria vem sempre a tempestade. E esta acaba por chegar com a visita de Castro Gomes que recebera no Rio de Janeiro uma carta anónima a alertá-lo para o adultério protagonizado por Maria e Carlos que deixavam o seu “nome honrado (…) pelas lamas da capital”, ora a verdade é que ele não era nenhum “marido infeliz” pois Maria não é sua esposa (o seu verdadeiro nome é Madame Mac Gren), apenas uma mulher a quem ele, por assim dizer, paga.
Castro Gomes vitorioso deixa Carlos lívido de fúria, afogueado de vergonha e dilacerado pela cólera como se “uma coisa muito bela, resplandecendo muito alto, e que caía de repente, se fazia em pedaços na lama, salpicando-o todo de nódoas intoleráveis”.
Carlos é mais um a necessitar de banhos morais.
Vai então aos Olivais pronto a terminar tudo. O que o magoa mais nem são as nódoas da história de Maria mas a mentira em que haviam sido encobertas.
Torturada pela dor, dilacerada pelas lágrimas e pelos soluços que não cessavam, Maria Eduarda apenas pedia a Carlos que escutasse a sua história… uma história de miséria, fome e sacrifício que só encontrara fim no indigno caminho do dinheiro.
Ao ouvi-la “respeitos humanos, orgulho, dignidade doméstica, tudo [em Carlos] foi levado como por um grande vento de piedade. Viu só, ofuscando todas as fragilidades, a sua beleza, a sua dor, a sua alma sublimemente amante”. E da sua boca apenas sai uma pergunta, a porta para a felicidade plena: “- Maria, queres casar comigo?”
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